Sobram 11.084 vagas para pessoas com deficiência

Todas as empresas brasileiras com mais de 99 funcionários são obrigadas a contratar pessoas com deficiência (PcDs), desde 1991. No entanto, muitos postos de trabalho ainda continuam vazios.

Na Bahia, das 14.186 vagas para PcDs, apenas 3.102 estão preenchidas. Em todo o Estado, nas 1.780 empresas que têm o dever de contratar esses profissionais, sobram 11.084 oportunidades – o que significa que apenas 21,89% estão ocupadas, segundo cálculos da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE) a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged/MTE).

De acordo com especialistas, são três os principais motivos para o abismo na relação entre vagas e contratos: a dificuldade de adequação das empresas à legislação, a desmotivação para o trabalho por parte dos PcDs devido aos benefícios recebidos e a baixa escolaridade dos candidatos.

“Ouvimos várias alegações, principalmente em relação ao recebimento do benefício de prestação continuada. Outra dificuldade alegada pelas empresas é sobre a segurança da PcD no ambiente de trabalho, já que é necessário investir em acessibilidade”, afirma a coordenadora do Núcleo de Apoio a Projetos Especiais (Nape), da SRTE-BA, Marli Pereira.

Já na visão dos recrutadores, a falta de capacitação é o principal entrave. “Faltam pessoas qualificadas para as funções, nós temos que formá-los”, afirma a coordenadora de recursos humanos da EAO Alimentos, que administra os restaurantes Baby Beef e Chez Bernard. No total, são 137 funcionários, sendo que cinco possuem alguma deficiência.

Famoso por receber os clientes na porta do Baby Beef há 31 anos, Erondino de Jesus, mais conhecido como Eron, afirma que teve sorte. “Comecei a trabalhar aqui em 13 de fevereiro de 1977, nunca me esqueci dessa data. Foi a coisa mais importante da minha vida”, revela ele, que foi convidado pelo dono do restaurante, quando trabalhava na construção civil.

Mesmo tendo estudado apenas até a 5ª série, ele reconhece que é preciso se preparar. “O segredo é querer trabalhar e ser qualificado. Eu mesmo já estou tomando curso de garçom”, diz ele, que irá se aposentar este ano.