JH: "sempre derrotamos o PT"

Faltando poucos minutos para João Henrique estrear o novo programa de rádio - o “Papo Livre com João” - o clima nos estúdios da Rádio 100 era de confraternização. Aliados, antigos e novos, conversavam com o contestado ex-prefeito de Salvador sobre assuntos diversos, enquanto, a esposa e ex-primeira dama da capital, Tatiana Paraíso (candidata a deputada estadual) ajudava no arremate para o início do programa. Contribuiu para a tranquilidade de João Henrique, embora não tenha sido colocado entre os argumentos, o fato de o programa ser fechado – nas primeiras semanas – à participação dos ouvintes. Na verdade, a interação poderá acontecer via mensagem de texto em um celular. Para além, o agora radialista afirma que não receia pelas eventuais críticas que sofrerá no decorrer dos programas. “É a democracia. Não existe regime melhor que a democracia. É o preço que a gente paga por viver em um país que é, graças a Deus, democrático”. Ressaltando a experiência adquirida nos oitos anos em que comandou a cidade de Salvador, João Henrique apresenta as credenciais para não cair em ciladas. “Nós queremos, a partir deste aprendizado que tivemos na prefeitura, debater as questões olhando-as por todos os ângulos. Quando você senta do outro lado, o do Executivo, você passa a ter contato com as limitações, com a burocracia, com a camisa de força que é você ser gestor neste país”. Neste sentido, João Henrique defende a tese de que para ser uma “pedra melhor é preciso já ter sido vidraça”. “Como radialista podendo discutir todos estes novos assuntos da pauta mundial olhando por todos os lados da questão. A experiência na prefeitura nos dá esta amplitude de visão. Porque estando apenas do lado da crítica, só do lado da pedra, nunca sendo vidraça, você pode fazer uma análise parcial. Mas como já estive oito anos do lado de lá, sendo vidraça, a gente pode analisar o assunto por vários ângulos”. Os aliados estavam eufóricos. Os vereadores Geraldo Júnior (PTN) e José Trindade (PSL) foram os entrevistados de João Henrique nesta primeira investida. Marcos Medrado, Oscimar Torres e Carlos Soares marcaram presença nos estúdios da rádio, localizada em Pernambués. Abaixo algumas respostas de João Henrique à reportagem do Bocão News. Confira Oito meses foi o tempo que o prefeito ACM Neto levou para apresentar um cronograma de pagamento das dívidas e retirar a cidade de Salvador do Cauc. O senhor acredita que a sua gestão não foi boa neste sentido? O Cauc é atualizado todos os dias de madrugada. Antes das 6h. Quando acabávamos de limpar o Cauc, no dia seguinte, ele amanhecia sujo. É como você escovar os dentes. É uma coisa que você precisa fazer todos os dias. Não é uma coisa extraordinária que deva ser feita uma vez por ano. Limpar o Cauc é uma coisa do dia a dia. Claro que algumas certidões se consegue via judicial. Nós conseguimos. Tanto é que fizemos a Avenida Centenário, a requalificação do Imbuí, a nova Vasco da Gama. Tudo isso foi feito com o Cauc limpo. É uma coisa que é feita na rotina do dia a dia. Hoje está limpo, mas amanhã pode estar sujo. Tivemos momentos de Cauc limpo e momentos de Cauc sujo. Se não estivesse limpo, Salvador não teria feito estas três grandes intervenções entre outras com recursos federais: como as mais de 80 encostas. No próximo dia 14 de setembro o senhor assina a ficha de filiação ao PSL. Porque escolheu este partido e qual o projeto? Os grandes partidos na Bahia são dominados pelas mesmas famílias há muitos anos. O PSL é um partido novo e pequeno que não tem este controle familiar. O PSL está dentro de uma federação de partidos, onde outras legendas próximas, também sem controle familiar, estão partícipes. Nós acreditamos que aí, mesmo com pouco tempo de televisão, mas com um partido independente, que pode nos oferecer a legenda para disputar um cargo na chapa majoritária ou disputar um cargo para deputado federal, você tem esta liberdade de decisão. Nós queremos um partido que nos dê liberdade de opção. O senhor acredita que vai viabilizar a candidatura no que se refere à legibilidade? Além de ter sido parte de uma estratégia de perseguição política e de inviabilizar a minha participação na vida política. Porque no passado, os políticos para serem banidos da vida política, aqueles verdadeiramente populares, muito próximos ao povo, eram banidos através da cassação e do exílio. Tiravam com outros métodos. Agora, a cassação e exílio se dão por outras formas. Mas, estamos com um bom advogado, Celso Castro, que nos deu a tranquilidade e a segurança de que podemos participar das eleições no próximo ano. Não houve improbidade, não houve dolo e não houve má-fé. Outra coisa: o prefeito não pode ser responsabilizado por atos cometidos pelas secretarias ou pelos secretários, assim é o entendimento do TCE e do TCU. Tanto em um quanto no outro, ministros e secretários de estado respondem pelo o que eles empenham, pelos pagamentos que autorizam. No caso do TCM - doutor Celso não entende porque - todas as despesas, até mesmo a mais simples compra de flores é atribuída a responsabilidade ao prefeito. Isto em uma cidade de três milhões de habitantes. Só por aí, com os métodos e as práticas do TCE e TCU, vemos que o TCM está isolado nesta interpretação. Qual a sua opinião com relação à gestão do prefeito ACM Neto? Sem opinião ainda. São oito meses. É muito cedo. É preciso que ele tenha um pouco mais tempo para fazermos qualquer julgamento. Eu me preservarei, neste momento, porque acho muito pouco tempo para um gestor ser julgado. Creio que um ano é um tempo bom. O senhor entra em um partido que é da base do governador Jaques Wagner. Qual a sua relação com a gestão estadual? Existe alguma? A relação pessoal sempre foi boa. O governador Jaques Wagner é uma pessoa muito educada. É uma pessoa de bom trato e que sabe ouvir. Politicamente, nós sempre derrotamos os candidatos apresentados pelo governador. Politicamente nós derrotamos o PT. Tanto em 2004 como em 2008. Quando diziam que eu tinha uma rejeição de 75% nós fomos as ruas e pela vontade popular nós conseguimos a reeleição. Naquele momento o PT não acreditava na minha reeleição, tanto que eles alegam que romperam comigo e lançaram a candidatura de Walter Pinheiro porque eles não acreditavam que eu fosse capaz da recuperação popular. O problema é que aqui no Brasil nós temos uma cultura equivocada de avaliar as pessoas do ponto de vista político como se estivéssemos fazendo uma avaliação do ponto de vista popular. Uma coisa é um cidadão que é um bom político, um articulador, um orador eloquente. Outra é o cidadão que é bom porque o povo confia. Então, eles avaliaram errado em 2008, acharam que o povo não confiava em mim e lançaram a candidatura isolada, longe da minha candidatura. Eu até ofereci a vice para o PT, mas achavam que eu não teria respaldo popular. Eu vejo agora, nestas pesquisas para governador do estado, figuras que politicamente estão bem situadas no cenário político, mas quando você pega estas mesmas pessoas e leva para um contexto popular... Você vê que se estas pessoas saíssem nas ruas ao meu lado, principalmente, ao meu lado, não sei se seriam tão reconhecidas como eu sou reconhecido no meio do povo.