Ministro Antonio Patriota cai após fuga de senador boliviano para o Brasil

A presidente brasileira, Dilma Rousseff, ri ao lado do ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, durante o recebimento das credenciais de 16 embaixadores e embaixadoras estrangeiros que representarão seus países no Brasil, em cerimônia no Palácio Itamaraty, em Brasília Após o envolvimento da diplomacia brasileira na fuga de um senador da Bolívia para o Brasil, o Palácio do Planalto comunicou nesta segunda-feira (26) que o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, pediu demissão à presidente Dilma Rousseff, que aceitou o pedido. Para o lugar de Patriota foi indicado o carioca Luís Alberto Figueiredo, 58, diplomata de carreira que integra o quadro do Itamaraty desde 1980. Segundo o Itamaraty, o novo ministro está em trânsito, de Nova York (EUA) a Brasília, onde desembarca amanhã (27). A pasta não tem informações sobre a data da cerimônia de posse de Figueiredo. A demissão de Patriota foi motivada pela operação que trouxe o senador boliviano Roger Pinto Molina ao Brasil, conduzida pelo titular interino da diplomacia brasileira em La Paz, Eduardo Saboia, sem consulta ao Itamaraty, segundo declarou o próprio diplomata. O episódio foi o estopim de uma relação já desgastada entre Patriota e a presidente Dilma Rousseff. Molina é opositor do presidente boliviano, Evo Morales, e estava asilado na Embaixada do Brasil em La Paz havia mais de um ano. Neste domingo, o Ministério das Relações Exteriores informou que não tinha conhecimentos da chegada do senador boliviano ao Brasil, apesar de a operação ter sido capitaneada por um diplomata brasileiro, Eduardo Saboia, encarregado de negócios em La Paz. Ao final da noite desta segunda, Saboia foi afastado do cargo. Patriota era um dos poucos ministros de Dilma que estavam no governo desde o início do mandato da presidente, em janeiro de 2011. Após o encontro com a presidente, Patriota reuniu diplomatas, assessores e funcionários do Itamaraty para anunciar a sua saída. Senador é acusado de corrupção Pinto, acusado de diversos crimes de corrupção na Bolívia, refugiou-se na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012. Após dez dias de ser recebido na embaixada, o governo brasileiro concedeu ao senador o status de asilado político. Em junho, o político foi condenado a um ano de prisão por um tribunal boliviano, que o declarou culpado de danos econômicos ao Estado calculados em cerca de US$ 1,7 milhão. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse dias depois que o governo da presidente Dilma Rousseff "garantia" a segurança do senador boliviano. O chanceler também explicou que o governo prosseguia com negociações "confidenciais" com as autoridades bolivianas para tentar solucionar a situação. Novo chanceler O novo ministro das Relações Exteriores exercia a representação do Brasil junto à ONU (Organização das Nações Unidas). No ano passado, Figueiredo chefiou a representação brasileira na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, realizada no Rio de Janeiro. ENTENDA O CASO ENVOLVENDO O SENADOR BOLIVIANO ROGER PINTO Arte/UOL 28.mai.2012 - Durante encontro com embaixador, o senador boliviano Roger Pinto, da oposição ao presidente Evo Morales, pede asilo político ao Brasil 8.jun.2012 - O governo brasileiro concede asilo e é criticado por Evo Morales dias depois 19.jul.2012 - Governo boliviano sobe o tom e acusa o embaixador brasileiro de fazer "pressão" 2.mar.2013 - Um acordo bilateral decide criar uma comissão para analisar o caso de Roger Pinto 17.mai.2013 - O advogado do senador pede que o Supremo Tribunal Federal pressione o Itamaraty 23.ago.2013 - Por volta das 15h, saem da embaixada brasileira em La Paz Roger Pinto, o diplomata brasileiro Eduardo Saboia e dois fuzileiros navais, em dois carros diplomáticos oficiais. Eles percorrem mais de 1.500 km por terra em uma viagem de mais de 22 horas 24.ago.2013 - Na tarde deste sábado, os carros chegam a Corumbá, no Mato Grosso do Sul e, à noite, pegam um jatinho de um empresário amigo do senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB-ES) rumo a Brasília 25.ago.2013 - Roger Pinto, Ferraço e Saboia chegam a Brasília Antes de se tornar representante permanente das Nações Unidas, ele trabalhou, a partir de 2011, como subsecretário de Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia no Itamaraty. No ministério, ele já tinha atuado como diretor-geral do Departamento de Ambiente e Assuntos Especiais e chefiou as divisões de Política Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, e Assuntos ligados a Mar, Antártida e Espaço Exterior. O embaixador Figueiredo Machado trabalhou em Nova York (ONU, 1986-1989), Santiago (1989-1992), Washington (1996-1999), Ottawa (1999-2002) e Paris (Unesco, 2003-2005). Ele participou como delegado ou chefe de delegação em várias reuniões multilaterais desde 1981 nas áreas de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, desarmamento e segurança internacional, leis dos mares, Antártida, espaço estrangeiro, saúde e trabalho. Ele chefiou a equipe brasileira de negociações por muitos anos nas reuniões internacionais e conferências sobre assuntos relacionados ao meio ambiente, especialmente aquelas sobre mudanças do clima e biodiversidade. Ele é graduado em direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. (Com agências internacionais) A presidenta Dilma Rousseff aceitou hoje, 26, o pedido de demissão do ministro Antonio de Aguiar Patriota e indicou o representante do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, para ser o novo ministro das Relações Exteriores. A presidenta agradeceu a dedicação e o empenho do ministro Patriota nos mais de dois anos que permaneceu no cargo e anunciou a sua indicação para a missão do Brasil na ONU.